Sexta-feira, 7 de Junho de 2013

Colecção Resort 2014 de Christian Dior

No post anterior falei de algumas colecções Resort. Hoje o tema mantém-se, apenas muda a colecção. Desta vez falo de Christian Dior e do trabalho de Raf Simons para a casa francesa. A colecção foi apresentada em Monte Carlo, no Mónaco, no passado dia 18. Confesso que já estava à espera de algo dentro deste género e, portanto, não fiquei muito surpreendida com aquilo que vi. O corte das peças, a palete de cores, os tecidos escolhidos, é tudo um pouco previsível. Ainda assim, esta não deixa de ser uma colecção bonita. Destaca-se pelos blazers cintados e pelos vestidos e saias esvoaçantes pelo joelho; destaca-se também pela mistura, na mesma peça, de vários materiais; e destaca-se ainda pelos acessórios - calçado, malas, óculos e colares - muito subtis e femininos. A silhueta mantém-se aprimorada e elegante, como Raf nos tem vindo a habituar.


Abaixo, fotografias de alguns detalhes bonitos. Temos a maquilhagem, também sempre lindissíma. Os lábios voltaram a ser o foco das atenções, desta vez não pelos brilhantes mas pelo rosa fúschia que deu cor e uma nova vida aos rostos das manequins. Há, no que aos acessórios diz respeito, pequenas malas de mão e sapatos bicudos em três tons e com um salto curvado. E depois os óculos de sol, grandes e de lentes espelhadas coloridas. Sabem o que digo de tudo isto? J'adore



photos: vogue.fr; Dior official facebook page

Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Algumas colecções Resort 2014

A apresentação das colecções Resort geralmente passa-me ao lado, não por não gostar (porque gosto), mas sim porque  não existe nenhuma semana da moda exclusivamente dedicada a elas - e, portanto, nunca sei ao certo em que data é que começam a ser lançadas as colecções mais exóticas e frescas da indústria. Ainda assim, é com um grande sorriso na cara que as recebo. Acho as colecções Resort uma enorme lufada de ar fresco e reflectem na perfeição o espírito de Verão. As que apresento abaixo são as minhas preferidas deste ano, so far


Quando penso em colecções Resort penso em roupas assim, como estas da marca Clover Canyon, um nome desconhecido para muitos mas que, certamente, dará que falar. Gosto dos padrões vivos e geométricos que, a par com o cabelo selvagem da manequim, evocam um certo espírito tribal. As peças são fluídas e reflectem uma leveza imensa.


Moschino Cheap and Chic optou por dar às flores o grande protagonismo. O floral print assume, aqui nesta colecção, um lugar de destaque. A palete de cores é variada, indo desde o rosa bebé até ao amarelo torrado, passando também pelo preto e pelo azul pastel. As peças apresentam um corte recto, a direito, e são bastante estruturadas. 


A combinação preto&branco pode já ter sido muito vista. Mesmo assim, continua a ser uma opção segura. A marca Diesel Black Gold apostou nas duas cores neutras e, em torno delas, criou a sua colecção Resort. Temos um pouco de tudo - camisolas de malha, vestidos curtos, casacos motard, skinny jeans e até o regresso da famosa mini saia. O aspecto das peças assemelha-se mais a uma colecção Pre-Fall, mas nem por isso deixo de gostar delas.


A colecção de Just Cavalli é feita de tecidos ricos, padrões florais e uma modernização do famoso leopard print, desta vez em tons de azul colbato. O branco, o amarelo pálido e o azul bebé compõem a palete de cores, toda ela muito suave e em tons pastéis.


Primeiramente, apaixonei-me pelas fotografias da apresentação da colecção. Depois, apaixonei-me pela colecção em si. É certo que não há uma grande coesão nesta colecção de Band of Outsiders, mas talvez seja esta miscelânea de padrões, volumes, comprimentos e texturas que me agrada. Gosto tanto da saia do 1º look - a mim faz-me lembrar uma melancia - como do vestido exótico da última imagem - a conjugação das riscas com as flores, influenciada pelo tom rosa do casaco, faz-me pensar em flamingos e cocktails à beira da piscina. Quanto ao calçado, é simples e confortável: loafers pretos, rasos, sempre práticos e versáteis.


Por último há a belissíma colecção da Thakoon, feita de tons claros, muito suaves, e padrões geométricos. A colecção é composta por peças de corte recto, de diferentes comprimentos, sendo toda ela muito minimalista. Porque less is more, sempre. Gosto da leveza e da sensação de frescura que esta colecção transmite, bem como das linhas descomplicadas e da silhueta simples, mas bonita. 

photos: style.com

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Portugal Fashion VIBE

De 20 a 23 de Março, as cidades Lisboa e Porto receberam a 32ª edição do Portugal Fashion. Sob o tema VIBE, vários foram os jovens designers e os "veteranos da indústria"que apresentaram as suas colecções para a estação fria - Outono/Inverno 2013.

Pelo Espaço Bloom passaram muitas boas propostas. Este espaço foi criado pelo Portugal Fashion em 2010 e é uma plataforma alternativa à passerelle principal. Tem como objectivo consolidar e lançar novos talentos emergentes, tornando assim público o trabalho de jovens que, na sua maioria, têm formação específica na área do design de moda e pretendem vingar no meio. Em Lisboa, Estelita Mendonça e Daniela Barros integraram um desfile conjunto. Hugo Costa também apresentou as suas propostas. No Porto, assistiu-se à apresentação das colecções de Teresa Abrunhosa, João melo Costa, Mafalda Fonseca, Carlos Couto, entre outros designers. Fora do Espaço Bloom, nomes como Felipe Oliveira Baptista, Luís Buchinho ou Katy Xiomara apresentaram as suas colecções. Vamos então conhecê-las?


Hugo Costa quis, através da sua colecção intitulada "Forest", contar uma história, cuja origem remete para a necessidade de reflexão sobre a relação entre os elementos da natureza e os espaços urbanos. Da Natureza temos as cores neutras e baças, como o beje, o verde jade, o castanho, o cinza e o preto. Dos espaços urbanos temos o próprio vestuário em si, simples e descomplicado, virado para o streetwear - influência que é visível nos bomber jackets (2º look) ou no grande casacão atado à cintura (5º look) - mas sem deixar de fora o modelo das peças clássicas masculinas.


A colecção de Estelita Mendonça fez-me lembrar um pouco White Tent (alô, parkas impermeáveis). E todos vocês sabem que eu gosto de White Tent, portanto, yup, gostei desta colecção. A designer partiu do conceito de habitat portátil e trabalhou sobre a ideia de protecção do ser humano, por vezes tão frágil e com tanta necessidade de protecção e conforto. E é assim que surgem estas roupas. Confortáveis, certamente.


Muito boa colecção, a de Daniela Barros. Gostei de tudo: da palete de cores (branco, creme, cinza, preto), dos materiais utilizados (sim, estou a referir-me àquela sweater do 4º look e da qual não consigo desviar o olhar) e do corte das peças. Em "Vada", a silhueta feminina é forte e sombria. Tanto somos presenteados com um coordenado composto por um enorme sobretudo, como logo a seguir surge um coordenado em branco-total, com peças cujo corte me fascina - tal e qual como aconteceu quando pousei pela primeira vez os olhos nestes calções da Zara, muito semelhantes aos da manequim. 


"Mo(u)rning" é uma colecção criada por João Melo Costa inspirada na actividade piscatória - nas palavras do próprio criador, "volta-se para o luto daqueles que perdem alguém no mar". Por aí se explica a opção pelo azul, simbolizando a vida marítima, e o preto - simbolizando a morte e a vida que poderá existir depois dela. O jovem portuense de apenas 22 anos criou para a próxima estação Outono/Inverno uma colecção que remete para um streetwear bastante descontraído - vejam, no 1º look, a baínha dos calções ligeiramente desfiada - mas ao mesmo tempo cuidado - as peças têm um corte clássico e recto. É notória a aptidão de João Melo Costa para trabalhar com diferentes materiais e texturas. Ao designer reconheço-lhe também a excelente sensibilidade cromática - os padrões são indefinidos e a dois tons, mas resultam muito bem.


Mafalda Fonseca decidiu contar a "história de um grupo de rapazes, no momento da passagem para a vida adulta". Fê-la muito bem. A julgar pela colecção que apresentou, ninguém diria que estava a dar os primeiros passos no mundo da moda - sim, foi precisamente no dia 23 de Março que Mafalda assinou o seu primeiro desfile. Começou por estudar Direito, mas a vontade de criar falou mais alto e levou-a a desistir da faculdade. Após alguma reflexão, decidiu inscrever-se, também ela, no actual Modatex. O curso, esse, só o terminou em 2012. Portanto o nervosismo que lhe tomou de assalto no momento em que apresentou ao público estas peças era compreensível, mas não justificado. Esta é uma colecção que se destaca pelos tons sombrios, pela exagerada sobreposição de peças mas também pela excelente qualidade dos materiais - "100% algodão, 100% lã, pele verdadeira e sedas". 


"Acthung". É este o nome da mais recente colecção Outono/Inverno de Carlos Couto, inspirada na corrente teórica do construtivismo. A influência do meio sobre o indivíduo cai nas estruturas e nos objectos construídos, deixando que se criem efeitos gráficos de silhuetas. Esta colecção é toda ela muito dark - quer pela paleta de cores em tons escuros, como preto, verde seco ou azul, quer pela própria maquilhagem e cabelos. 


Teresa Abrunhosa virou-se para o jogo de contrastes entre o justo e o largo, entre as cores vivas e as cores mortas, entre os padrões e as peças lisas. Os diferentes materiais (pele, veludo e fazendas texturadas em tons de preto, cinza, burgundy e vermelho) foram complementados por apontamentos metálicos muito subtis e estampado marmoreado. As peças foram desenhadas a pensar na mulher da cidade, que quer, mais do que roupa elegante, roupa versátil.


Luís Buchinho nunca (me) desilude. Esta sua colecção knitwear tem como grande influência o design industrial dos anos 70. Encontramos aqui grafismos simples e eficazes e uma combinação de cores segura. Gostava muito de ver as peças ao vivo e apreciar os bons materiais de que foram feitas, o corte impecável e óptimos acabamentos. 


Felipe Oliveira Baptista apresentou "Inquietude", uma colecção que dá protagonismo à forma e ao volume. Pensadas numa cor sólida - preto ou cinza - estas peças revelam uma geometria em bruto. O corte abaulado em nada favorece o tronco feminino; ainda assim, estas criações resultaram muito bem. 
Para desenhar e dar vida a esta colecção, o designer deixou-se influenciar pelo trabalho de alguns artistas portugueses, tais como Helena Almeida ou Miguel Gomes (director de "Tabu"). Felipe Oliveira Baptista trabalhou ainda com Jackytex e Nikke, vencedores dos Prémios PV 2012.


Sou fã das criações amorosoas e cheias de detalhes bonitos da Katty Xiomara. Para a colecção de Outono/Inverno, a designer serviu-se do tradicional azulejo azul português para reinterpretar as novas formas da arte urbana. As peças têm alguma simetria e são delineadas por linhas contrastantes em preto e azul colbato. Para além destas duas cores, a palete cromática centra-se no branco, rosa pálido e laranja. Não consigo enumerar apenas um look preferido porque gosto da grande maioria dos coordenados. Adoro a leveza e a feminilidade das saias e dos vestidos fluídos.